segunda-feira, julho 02, 2007

Armadilha


Abri uma janela da minha alma, há muito fechada, tinha pó nas portadas e as dobradiças enferrujadas.

A sala desta janela, tinha lençóis brancos, compridos, a tapar quadros que tanto me incomodavam, e ainda incomodam.
Decidi abrir a janela, para limpezas de verão, deixar o sol entrar um pouco e contemplar os quadros, deixar o ar soprar o pó, sentar-me no soalho frio, na esperança de o aquecer.

Mas a Janela revelou-se uma armadilha, acabei colada a um vidro, que parecia translucido, ao encostar uma mão, e depois a outra na tentativa de me soltar, lutei frenética, gritei por ajuda, mas apenas eu me ouvi.

Estou prostrada, de joelhos, no soalho ainda frio, de mão presas por uma outra dimensão, num vidro que nunca o foi, já não as sinto, e duvido da sua existência. As lágrimas aflitas brotam
acompanhadas por gotas mínimas de sangue, porque o corpo decidiu morrer aqui, cortando-se em pedaços pequenos todos os dias. Eu grito, todos os dias a toda a hora. No canto escuro da sala, até onde consegue a vista alcançar, está uma cobra enorme, oiço-lhe o sibilar...

3 comentários:

Anónimo disse...

Se mostrares medo a cobra morde ... Valente e corajosa MORDE ESSA COBRA :)

Ass: Quiron

Masturbatrix disse...

e essa cobra não girava em redor de uma maçã? :)

puta valente disse...

Não, girava em torno de mim, acabou por me matar!

Acordei e descobri que foi um ataque de claustrofobia e Ofidiofobia, num só copo de leite bebido de um trago, que me deu durante o sono