quinta-feira, novembro 23, 2006

Estranhos...



Um toque de uma mão curiosa que explora cada recanto de um corpo perfumado, entregue a luxúrias, suplicante por contacto, trémulo… o passar de um dedo que descortina emoção, transformando o frio em quente, deixando o rasto de pele queimada pelo desejo, à envolvência de movimentos junta-se uma língua, que sente o agridoce da pele suada, ascende até a uma boca combalida, iludida, envolve-se, depositando a intensidade de um desejo urgente, numa união falsa, como o arco-íris nos dias de Inverno com um sol doentio, de retorno, tem a entrega de uma essência desconhecida, que se adensa numa massa volátil que apenas deixa o arrepio de exigência, intenso, aceita, fluí a excitação, dificulta a respiração do ar bombeado pelo coração, máquina acelerada, instintiva e sem sentimento. Cede, aperta, entrega, cai, adensa, explode… sai, deixa nas quatro paredes o suor condensado de um arfar tresloucado, no meio de tantas outras gotas de suor deixadas, no ar ainda se ouve o latir uníssono de corações exaltados, ironicamente unidos, numa sinfonia que apenas o sempre coração presente ouve, todos os outros acelerados batimentos, são passagens que acompanham este solitário com o afinco de uma entrega mística, que no silencio do abandono, promete-se a si próprio e a quem quiser ouvir num uivo rouco e dorido que não cairá, não se entregará numa próxima vez… mas sabe que voltará a sentir com a mesma intensidade a próxima mão, cedendo, caindo, entregando-se com a mesma inocência, urgente, voltará a ouvir o uníssono irónico latir de corações unidos, que nunca o serão, nunca se pertencerão e não voltarão a encontrar-se.
Mas não se coíbe de ansiar pelo próximo momento…

Puta Valente


4 comentários:

sobre-nada disse...

Que caralho, porque é que ninguém me enviou a ficha de inscrição para o putedo social club. Eu também quero ser membra!!!

Anónimo disse...

Somos um grupo hemético, de personalidades excepcionais com ideais e filosofias diferentes, convergidos em ténues linhas, não distribuimos fichas de inscrição, não somos banais, somos elementos traço (abençoado puta paciente que me ensina estes termos cientificos) heterogénio grupo, similar contentamento.
Para pertencer ao putedo é preciso mais que querer, é preciso merecer e não é arrogância, é critério. há que lidar connosco, há que conhecer e andar por vielas escuras, mas cheias de luz, é o dúbio que nos alimenta.
Nada como apareceres e sentires o que somos.
Puta Valente

sobre-nada disse...

Acho muito bem que a integração no vosso clube não seja feita de forma aleatória e com ficha de inscrição, afinal de contas o vosso blog não é um ginásio. Será?
Digo isto porque o sexo é um excercício fisico e mental, não é de isto que tratam?
A banalidade ou a falta dela nota-se, não é preciso ser assumida ou renunciada. Não considero o vosso blog banal.
Eu também navego por caminhos dúbios e cheios de jogos de luz, é inevitável, faz parte da vida aqui, na blogosfera e da vida lá fora. A vantagem de se navegar num não -lugar por excelência é a possibilidade.


Boas aventuras

Puta Valente disse...

Só tenho uma coisa a dizer:
Temos que te conhecer :D