quarta-feira, setembro 24, 2008

A vontade pode tudo...


Levo na pele aquela vontade de ter o que não me é permitido, escondo do mundo a mente sórdida que me acompanha, e com os pudores naturais, a minha alma retrai-se de vergonha, e recolho na minha mente as palavras nunca mais permitidas, e as ganas de mais não ser.
Deito a cabeça numa almofada que me atormenta, por tudo saber.
São duras as penas de quem vê além dos olhos, e que sente além do natural, as angústias de não ter emoções cicatrizadas, como a terra tem as árvores enraizadas... a febre que me atormenta, com a temperatura gélida da racionalidade, mundo perdido, mente líquida, vontade sólida.
Coisa assim, de alma descontente, caminho torto e de tudo o que acontece, mas não podia ter acontecido. Procuro a montanha mais alta, para poder escalar e poder assim, atribuir o meu cansaço ao lógico esforço do corpo, e a alma continua a agitar-se, cheia de vontades inusitadas de romper as finas, mas sólidas, barreiras do racional.
Este vazio impreciso, este excesso de ar, para respirar e esta vida a mais para ter. A vontade de nada mais querer, além do que não se pode querer.
Vento que me trazes a razão, perde-te por favor, deixa-me nesta insana vivência, com um mar que nunca será mais pequeno que a minha mão, que me deixa ficar, que me pede para ir e que me leva sem permissão.
Quero rebentar nas ondas deste mar, nas várias orlas deste mundo, quero deitar-me em areias várias e colar ao céu da minha boca, como pequenos rótulos, as emoções; o ódio, a loucura, a angústia ou amargura, a doçura, a indiferença, a pastosa preguiça, a paixão-mãe, o amor platónico, a tristeza, a vaidade, a solidão...
Terei espaço em mim para todas, pequenas e grandes.
Tenho a vontade de sentir.
Continuo a ter a vontade de ter o que não posso querer…

terça-feira, setembro 23, 2008

Aquela, outrora, doçura


A incessante loucura
Bate no fundo da
mente
E procura romper
com a crença
E o que crê ser importante.

É sandice, parar ou andar,
Olhar e
viver, simplesmente...
Ignorar?...

Bate-me a indecisão vendada de loucura e a
demência cola-se à pele,
Como vírus à célula
Trago o e
xaurido corpo a passear à rua,
Agastado, perdido...

Com ganas de gemer as torturas da alma,
Mas a força não me chega…

sexta-feira, setembro 05, 2008


Sobra espaço, a estranha sensação de espaço vazio…

Sobra espaço entre estar, querer, ficar, ter, partir, sentir, calar, viver…

Entre as paredes que sabem tudo,

Entre a pele e o corpo,

Entre o sorriso e a lágrima,

Entre a existência e o ser,

Entre a luz e a sombra,

Entre a castanha e a neve,

Entre a tortura e a doçura,

Entre a demora e a caminhada,

Entre a chegada e o nunca mais,

Entre a dúvida e o amor,

Entre o carinho e a estrada,

Entre o arrepio e o cheiro,

Entre o fogo e o fogo,

Entre a alma e a existência,

Entre o beijo delirante e a verdade,

Entre a sinceridade e a vontade,

Entre o soluço e o choro,

Entre o muito e o tanto,

Entre a esteira da vida e a vontade de viver,

Entre a colina e o lado errado,

Entre a melodia e a voz rouca.

Entre a gargalhada e a orelha,

Entre a espada e a parede,

Entre mim e a roupa que visto…

É gelo o que me vai na alma...


E queima com a crueldade do abandono, sinto o corpo triste e a chama da vida abandonou-me, fugiu pela janela aberta, com medo de ser exaurida pelo bafo gelado que me cedeste num copo de pé alto, com requinte camuflado; bebi-lhe a angústia interior, sem perceber que estava a morrer ao segundo.

Nada é perdido, apenas vivido… sentido com as penas de criança e as angústias de adulto.

Quero apenas ceder o corpo à tormenta e entregar a alma à liberdade, que venham os cavaleiros da noite, caminhantes em pés descalços, mostrar-me o caminho da perdição, o que não tem retorno, o que simplesmente me leva para a podridão do mundo.

Quero sentir o que nunca senti, quero sentir a dor, desgarrar a carne da existência e perder-me em mares de sangue, quero que me doa até à última gota de sangue vertida.

Que venham as brumas, as catástrofes e as bruxas, em vassouras! Que se assanhem os gatos pretos, no meu caminho e grasnem os corvos ao meu ouvido, que me partam os mil raios da conjuntura celeste, que me abram em fenda profunda e insana, por todo o meu corpo, de alto abaixo, que se prendam pernas, mãos e que as ideias se encham de lodo, e que a língua não ande, nem mexa, simplesmente quede a sentir o fel, que o peso da terra paire sobre mim, em ameaça e pressão... POIS que venham! Tudo e todos, com as fúrias de bestas mitológicas e medos urbanos, que tanto nos apoquentam no dia-a-dia!

Que desabe o mundo, e me cravem as águias esfomeadas,as suas garras na carne desprotegida, que me devorem os lobos na noite, que me deixem cair na água gelada!….

Quero pender a cabeça de cansaço, para o lado e saber que não voltará a doer tanto, nem nada poderá doer mais.

domingo, agosto 31, 2008

Sapatos vermelhos



A noite não estava a render nada, ela não percebia porque, ainda novata, naquelas andanças. Estava acompanhada de uma mais experiente, que a iniciava nesta vida a troco de nada, "porque sei o que é andar sozinha nestas ruas, à noite. Só há putas e mafiosos!... Deixa lá, não me deves nada, quem me dera que o tivessem feito por mim" concluía com um olhar amargo, que podia dizer muito mais, mas parecia não possuir palavras para descrever as suas vivências. Ou isso, ou sentimento de culpa…
- Deixa lá cachopa, com essa cara laroca, em menos de uma hora já te estão a chamar, mas atenção, sê prudente. Se vires que o gajo tem um olhar maníaco, tu vem-te embora!...
Estes alertas podiam parecer muito úteis, mas o que é certo é que não sabia o que era um ar maníaco. Tinha a inocência no corpo, como quem tem sangue; vendia o corpo, porque acabou fugida de um colégio interno, onde foi parar por ter sido apanhada com um cigarro na boca, no entanto o seu sentimento de culpa não lhe permitia a resignação para ficar trancada que nem uma marginal; uma noite, saltou da janela, simplesmente, enchendo-se de arranhões e sem olhar para trás, da família, nada podia saber, estava muito longe e só se lembra de ter andado muito. Passados dias de fome, frio e dormidas ao relento, foi parar a uma pequena cidade e aí foi amparada por uma puta samaritana...
- Anda lá boneca, nesta vida ninguém nos dá nada, temos que fazer por ela!
Apesar dos seus modos pouco carinhosos, era atenta às necessidades da pequena meretriz, deixou-a repousar durante muito tempo, alimentou-a e deu-lhe cama e roupas para o oficio.
- Elah! Se te serve a ti, quer dizer que a idade ainda não me apanhou! - Riu à gargalhada, mas percebendo que ria sozinha, acrescentou - Tenho cuidado com o que como... E protejo-me sempre.
Depois explicou-lhe como funcionavam as coisas, e a pequena puta apenas absorvia informação, falava pouco, mas lá acabou por explicar que nunca tinha estado com nenhum homem.
- A sério?! Então és um pequeno tesouro!... Vamos vender a tua virgindade! - Ao ver o ar desesperado da pequena puta, concluiu - Não te preocupes, não te vai servir para nada, e eu estou cá para te dar umas dicas, para não doer tanto. Anda daí.
E foram. Até um bordel, porque na rua os leilões são complicados... e mal pagos. No entanto ali, havia comissões para a casa, para a patroa e para a puta experiente, que levou a pequena puta. No fim, para a última sobrou apenas o tremor no corpo, de medo e horror, e as lágrimas derramadas. Então era isto o tal pecado, se doía, porque caíam nele?
Não houve tempo para respostas, na noite seguinte foi para a rua com a puta experiente, e começou a treinar a aliciação, insinuando as pernas compridas, desnudas, o traseiro redondo coberto com uma mini-saia descarada, e um decote profundo "porque um bom decote faz toda a diferença" dizia-lhe a puta experiente todas as noites. Começou a ter dinheiro, finalmente, e em breve partiria do cafofo da puta experiente, esse era o seu objectivo, como tal precisava de clientes, tivessem eles olhar maníaco, ou não, fosse o que isso fosse.
Estava impaciente, e mal habituada, pois de facto a pequena puta facturava bastante por noite, o seu ar inocente e jovem cativava muitos clientes.
Andava de um lado para o outro, num andar sólido, porém leve, nuns saltos altos vermelhos, uma mini preta e um trapinho a segurar-lhe as mamas firmes, cabelo apanhado, era mais prático e mostrava o seu rosto redondo, de menina, que tantos clientes chamava. Era um felino da noite.
- Não vale a pena desesperar... - Dizia a outra, fumando um cigarro...
Até que um carro se aproxima, um topo de gama, com vidros fumados, baixando um pouco o vidro da janela do pendura, chamou a felina, tocaram informação e ela entrou.
- Não te esqueças da protecção!
Gritou-lhe a puta experiente ao longe.
(Continua)

Flutua sem exagerar, cerra os dentes ao voar, cuidado que podes cair...


O meu nome é ilusão, crio e vivo dentro de ti, compro-te um rebuçado por dia, é quanto basta para te manter comigo.
Entro pelas paredes e infiltro-me no sangue, Sorrio ao ver que afinal gostas de me ter.
Cantas baixinho, pensando que ninguém te ouve, mas o mundo está atento aos loucos e olha-te com desdém.
É essa auência que te acompanha, e isola, que tanto te alimenta, e possui com carinho, como se de um amante se tratasse, lambe-te a pele, com uma lingua invulgarmente fria, mas que te satisfaz plenamente; percorre-te o corpo com uma mão imagnária, e deixa cair por terra a tua roupa, envolve-te com um abraço único, e penetra-te devagar, sem pressas, e tu não tens medo, porque sabes que só pode ser bom.
Todo o cheiro que envolve este ritual, é apenas teu, e desconheces que consegues um cheiro tão e apetecível, sentes cada vez mais, o corpo a ceder a uma irracionalidade instintiva de puro prazer, há algo que não consegues explicar, é cada vez mais intensa a sensação que sentes a espalhar-se pelo teu corpo, como um incêncio, cuja chama começou entre as tuas pernas... é tão interior, tão vivo, que te assustas com a onda que rebenta dentro de ti, arqueas as costas, gritas, mas é de prazer... seguem-se mais e mais ondas, diminuem de intensdade, como se fosse apenas uma rajada de vento em pleno inverno, tornada brisa primaveril...
Estás só, agora num silêncio, já não há nada a ver, fazer, dizer... Ausente, estás sempre ausente...viraste para o lado, e dormes.

Quando fores grande o que queres ser?

Quero ser gigante para ter passos maiores que todos os outros,
ou ser uma tesoura para rasgar horizontes,
posso também ser uma cor, violeta,
para pintar o mundo, viver no céu, rir às gargalhadas e ser feliz;
quero ser vento, para não caber na mão de ninguém,
ou água para dependerem de mim;
quero ser ilusão, ou amor,
para poder ri-me nas costas dos outros,
ou vê-los a fingir que amam, desgastados com o tempo e com as inseguranças,
ou saudades, lágrimas falsas;
posso ser ave, para fugir;
posso ser mentira, para viver;
quero ser grande e poder foder,
porque não existe nada melhor.

quinta-feira, agosto 07, 2008



Deixa-me um bilhete ao partires, onde digas o quanto me amas e me queres ao teu lado. Deixa-me um bilhete ao chegares para que eu não me esqueça que existes. Deixa-me um bilhete no frigorifico, a dizer quantas horas queres gastar na eternidade, ao meu lado, a ler banda desenhada e filmes idiotas. Deixa-me um bilhete com o teu beijo marcado, na minha almofada, e ecreve o teu nome, para não te confudir com outro. Deixa-me um bilhete na porta, para saber que um sétino andar é muito alto, para poder sair pela janela. Deixa-me um bilhete com a minha cor favorita, pode ser que acertes. Deixa-me um bilhete molhado com a água do banho, simplesmente porque sim. Deixa-me um bilhete com o meu nome e a minha identidade, a minha existência, aquela que julgas conhecer. Deixa-me a merda de um bilhete, pode ser que o leia.

Origem...


Perdida no marasmo da inutilidade humana que me inunda a pele,
oiço o sibilar do silêncio, junto à paredes caladas e sinto a inevitável convulsão agónica do medo. Simplesmente ser, não querer, não ter, parar para escutar...
não é um comboio que lá vem, é a vida,
lesta como um torpedo de guerra, esborracha-se na minha cara e com descaramento,
conclui o aparatoso acidente com um "aqui me tens",
segura e expansiva, como se tivesse sido chamada.
O corpo é escravo da alma e a alma escrava da mente,
mente cravada no corpo, com garras de gato preguiçoso,
que dorme de olhos abertos, sempre em alerta.
Os gatos têm um papel muito importante para a humanidade,
tal como a mente para a alma,
o corpo para a mente,
a alma para o corpo
e a mente para...não.
No fundo não passamos de massa trôpega,
com manias de grandeza.
Somos tão pequenos que corremos o risco de morrer de tédio,
ou de amor,
ou de causas ditas nobres,
porque se olhou para o sitio certo na hora errada.

vou enroscar-me neste lençol que cheira a terra molhada e a tristeza de fada, minhocas a amores perfeitos a romper, ou será este o meu cheiro e impregno o lençol?...

segunda-feira, agosto 04, 2008


Ontem sai de casa, com a sensação de que o mundo mexia a uma velocidade irreal, e nunca constante.

Os batimentos no meu pulso não permitiam calma, e eu não queria sair… ao pôr o pé na calçada, senti a agonia do peso do mundo, na sola dos meus pés. Não percebi o que se passou, mas o vómito que me veio à boca, mostrou-me o quão azeda vou.

Caminhei, com o corpo pesado, preso, alucinado… e a dor que me consumiu foi tão grande, que me indaguei, s e o carro que me contornou na estrada, doeria tanto, quanto o que levo dentro, se me atropelasse… a dor que pronunciada magoa, e no silêncio mata, na boca é veneno e na alma ensinamento.

Tropecei numa pessoa, julguei ser uma pedra, que por sua vez, julgou-me drogada… mas não é esse o meu mal, trago apenas a alma velha e cansada, e trato a angústia por tu.

Agonizo com o que me rodeia, canso-me com o que vejo, entristeço-me com a falta que me faz um mundo novo, um sorriso sábio, uma luz diferente e uma cor única. Contorço-me, transformo-me e sigo por esse trilho que me está traçado, mas lá à frente mudo, garanto que mudo, e não me impede ninguém, porque passo despercebida.

Tenho demasiadas questões para conseguir proferi-las


Sinto agonias que me forçam a abrir a boca, despejando um viscoso vómito de ideias, palavras soltas, frases tidas, mantidas e criadas durante anos, algumas questiono se nesta, ou de noutras vidas.

Sinto a cabeça prestes a rebentar, mas pior… pior é isto que me habita, que me consome, e não consigo explicar… é isto o sentir? Este nó que me recuso a engolir, pois temo que me doa mais a descer que a vomitá-lo, este aperto no estômago que me arranca as vísceras num único rasgão de ventre; é cruel, a dor que me vai no peito, sei que não me matará, mas habita-me paciente, sorvendo sombras, e tornando-se maior, e maior… dos olhos cai a água límpida, carregada de histórias, que nunca poderá contar… apenas cair na terra e ali permanecer, para todo o sempre, em sepulcro. As lágrimas que bebo, são para garantir alguma memória, no meu corpo, que um dia cairá por terra, perdendo tudo, o sofrimento, a alegria, a memoria... “Somos pasto para vermes…”

quinta-feira, julho 03, 2008

Masturbação...


«Como disse Camões, ela é o acto a partir do qual se "transforma o amador na cousa amada, por virtude do muito desejar."»
Rui Zink citando Camões

terça-feira, junho 17, 2008

Quantidade de água gasta, na tentativa de lavagem dos pecados dúbios, ora pelo bem, ora pelo mal; os piedosos e os maldosos, reuniram-se nas grutas escuras da essência terrestre e sussurraram as maleficências do corpo, e da mente.

Perdidos em filosofias, sem efeito, forma ou coração, racionalidade ou sentimento, acabaram a descurar o respeito mútuo, cobiçaram as formas que não viram; soubessem eles que os maldosos são corcundas e os piedosos pelados, com cabeça de porco, não se tocariam, mas o mundo é movido por desejos, e pela energia dispendida na concretização dos mesmos; acabaram colados, no maior bacanal que o interior da terra alguma vez assistiu, como nunca nos passará pela cabeça, o que a imaginação não poderá alcançar, copularam, numa cópula inatingível, gemeram de dor, essencialmente, mas muito de prazer, gritaram incompreensíveis comunicações, rugiram animalescos, e carnes arrancaram…

Romperam-se lavas profundas, arderam florestas perdidas, derrocaram montanhas solitárias, dilaceraram entranhas próprias, terminou tudo numa calmaria, onde o silêncio foi o companheiro da guerra travada; piedosos e maldosos, estendidos, no escuro, comidos, esgotados, prenhes da pior essência que se veio a conhecer, o Homem.

Com o que nunca se pensa ver, vê-se de tudo, com a venda nos olhos, um mundo triste, amolgado, florido, crescido, com a bola de carne no cerne, e a força de mil leões, recostados na savana, numa sombra vadia, que ora está, mas não pertence a nada, nem ninguém.


De costas voltadas ao dito, não sabe, não vê, não crê, simplesmente cresce selvagem, cabelos ao vento e ideias voláteis, dores de dentes ou de costas, pouco importam, não há nada maior que a dor de alma.


segunda-feira, junho 02, 2008


Passa a mão pela minha pele e diz-me o que sentes, para que te possa contar o que vejo, o arrepio que se prende na espinha e sabor que me vem à boca…
Doce desejo que me consome as entranhas a velocidades alucinadas, trazes na boca, que me beija, o veneno da prisão.
Prendes-me as mãos atrás das costas, magoas-me e sabes disso, queres-me submissa, mordo-te a língua num beijo sôfrego, que colas na minha boca, libertas-me em grito de agonia e chamas-me “Puta!”…
Fujo para um dos cantos das quatro paredes que nos rodeiam… o meu olhar desafia-te, o meu corpo arde de desejo, mas nunca te suplicarei… queres? Vem buscar, pode ser consigas…
Consegues sempre, nunca da mesma forma, mas acabamos como animais, deitados no chão em gemidos uno, em silêncios oportunos, consumimo-nos nas investidas desta dança que é o sexo, e não paramos no culminar do orgasmo, não… ainda agora começou.

Nem sempre o corpo consumido é livre




A largo passo, distraída, olhando em vão para um horizonte que não consigo ver, que se mostra em linhas pouco criadas, ou então sou eu que não tenho olhos para ver o real que a vida tem para mostrar, posso simplesmente estar frente a um horizonte que não foi criado para mim, estou frente ao muito, e ao pouco, ao que nem quero ver, ou saber. Vejo o que não vejo, sinto o que me toca, mas não o que me fala, oiço apenas o que me olha nos olhos, e nem sempre, por vezes, simplesmente, deixo contornar-me o corpo, com mãos que me são raras… o toque é uma coisa que me aflige...


Torcida vou, num corpo que teima em fugir, correr quando estou cansada, e parar quando estou com pressa. Na mente trago o mundo ao contrário, vem também como muito sangue, mostra-se contaminado de coisas estranhas, densas e sumidas, o sangue vem como vital que é e o chão é feito de mosaicos pretos, contornados a laranja…


Perdida me sinto, com o passar do tempo ainda mais. Quando olho para direcções que não quero seguir e o meu corpo, com a obrigação se move para lá. Sinto-me gado empurrado, peça de roupa largada, desprezada… o valor que nos dão não é mais importante que o valor que nos damos a nós prórpios…


Atravesso, descalça e a passo miúdo, de quem leva o temor de um mundo desconhecido, de quem teme o que vem lá, de quem não quer, de quem não gosta desta vida, de quem sente uma agonia só por acordar, de quem vomita só por neste chão andar…

domingo, maio 11, 2008

terça-feira, abril 29, 2008

Héracles e Ônfale

BOUCHER, François; Hercules and Omphale; 1735; Tela/tinta de óleo: 90 x74 cm, Museu Pushkin - Moscovo.
Hércules, a versão romana de Héracles, o herói dos doze trabalhos, durante um acesso de loucura matou Ífito. Como castigo pelo devaneiozito foi vendido por Hermes como escravo durante três anos. Quem comprou o garanhão? uma grande puta, Ônfale, que tratou de aliviar a pena ao menino tornando-o seu amante, coitadinha, que feitio de santa que ela devia ter. Era uma rainha. Da Lídia (região Norte da península natólica).
Pois esta rainha divertia-se vestindo o seu herói com bonitos trajes e faiscantes adornos, femininos, enquanto fiava; envergando ela a pele do leão de Neméia e a clava, o que é como quem diz, as calças.Estes gregos, pá, mais a sua mitologia, sempre a mostrar-nos, que não, pá, eles são mas é sempre muita à frente, que isto do bicho hôme já tá inventado à muito tempo e que não são umas engenhocas que nos mudaram, não senhora. Somos prafrentex, na nossa época? Népia! Andamos tudo sempre com os mesmos problemas. Fazem parte de nós enquanto Humanidade.
Continuemos então à bulha, pra ver quem manda mais, se a gaja se o gajo.

segunda-feira, abril 28, 2008

Maratona


Soube que iniciaste uma interessante maratona, foder o maior numero de gajos em 3 anos!

Tens alguma meta? 100? 500? 1000 gajos?

E método, tens algum? Vais deixar levar te ao sabor dos teus caprichos ou vais atacar alvos específicos como uma boa profissional?

Conta, não te acanhes, como sabes posso dar te umas dicas...

segunda-feira, abril 21, 2008

Satisfação


As noites andam muito ocupadas e os dias mal chegam para repousar estes corpos extenuados que tanto se dão ao manifesto.

O tempo não sobra e com o corpo a pagar o juízo que a cabeça não tem, as ideias e as vontades de aqui escrever diluem-se entre preguiças várias.

No entanto, os desabafos e resmungos que aqui lançamos fazem-nos falta e tentaremos ser (de novo) mais assíduas e participativas...

sexta-feira, abril 18, 2008

Tenho saudades

No meio de mil e uma coisas para fazer, trago na mente as mil e uma palavras para dizer, ando em agonias que não tem descrição, pois este silencio consome-me com uma gana que não vos consigo descrever.

Sinto falta de aqui deixar as minhas palavras, ou meus devaneios, experiências, histórias no joelho escritas.

Uma série de acontecimentos que não têm explicação, uma série de desculpas é o que é…

Deparei-me com este adorado blog, outrora tão movimentado, e agora tão perdido e só tenho a dizer que o meu coração ficou pequenino com a dor que me assolou.

E vocês pensam: foda-se! É só um blo!... credo!

Mas é onde a nossa comunicação existe, a minha e a tua, e tenho-a descurado.

Estou de regresso, aos poucos, mas estou de regresso, não deixes de nos ler

A todos os que comentam e nos lêem, aos que nos seguem e espreitam para esta janela, de vez em quando, para os que não suprimem o acto de aqui tentar encontrar as novidade, para ti que lês neste momento e nos segues, seja há muito ou pouco tempo, para ti mesmo, sussurro-te ao ouvido, como quem pede sexo:

Tenho saudades…

terça-feira, março 25, 2008

Que maravilha seria ter no BI "Puta que pariu" em vez de S. Sebastião da Pedreira



Podem dizer que é foi lá que todos os politicos nasceram;
Podem imaginar que é onde se localiza o maior bordel do mundo;
Eu, a ser verdade, admiro o humor de quem baptizou o local!

segunda-feira, março 24, 2008

O arrependimento tem o amargo sabor do fel

O orgulho é simplesmente a lâmina que nos corta com dons e torturas de ninja.
Existe um passo, que simplesmente nos deixa suspensos,
Suspensos no ser, no querer e no simples amar.
Existe um passo, que não permite voltar a trás, um passo duro,
Nem sempre eficaz.
Existe um passo, que nos consome a alma, nos cospe veneno de naja nos olhos,
Nos atira para o abismo da agonia…
E suplica por ser dado…
Existe um passo que nada mais quer, a não ser a nossa alma…
Existe um passo que nos faz chorar de alegria, de angústia ou de dor, profunda dor…
O passo que pede acção, mas racionalidade imperiosa.
Existe um passo, que simplesmente nos deixa suspensos,
Em fios de vida, queimados, corroídos, de ossos cansados.
Existe esse mesmo passo para ódio, para o amor, para a ternura e até para o pavor.
Um passo que nos prende nas malhas do nunca visto, nem capaz de ser previsto, apenas escolhido.
Todos o temos, nenhum de nós o quer.

quinta-feira, março 20, 2008

Publicidade


É ir e comprar! O ideal era mesmo se o autocarro em questão fosse até à Av. da Republica seria só segui-lo...

Primavera


Tem a mania que é bonita, mas só trás arrelias. Não querias dizer alergias?
Manhãs geladas e tardes cálidas Vamos lá a ver se assim é este ano...
A libido díspara! Ddesculpas, a nossa libido é assim todo o ano!
A bicharada insectivora fica ao rubro Por acaso... não se aguenta! Já compraste Raid?
Legenda:
Puta Arrogante
Puta Valente