sexta-feira, setembro 26, 2008












viceland.com










viceland.com













viceland.com












viceland.com













viceland.com

quarta-feira, setembro 24, 2008

A vontade pode tudo...


Levo na pele aquela vontade de ter o que não me é permitido, escondo do mundo a mente sórdida que me acompanha, e com os pudores naturais, a minha alma retrai-se de vergonha, e recolho na minha mente as palavras nunca mais permitidas, e as ganas de mais não ser.
Deito a cabeça numa almofada que me atormenta, por tudo saber.
São duras as penas de quem vê além dos olhos, e que sente além do natural, as angústias de não ter emoções cicatrizadas, como a terra tem as árvores enraizadas... a febre que me atormenta, com a temperatura gélida da racionalidade, mundo perdido, mente líquida, vontade sólida.
Coisa assim, de alma descontente, caminho torto e de tudo o que acontece, mas não podia ter acontecido. Procuro a montanha mais alta, para poder escalar e poder assim, atribuir o meu cansaço ao lógico esforço do corpo, e a alma continua a agitar-se, cheia de vontades inusitadas de romper as finas, mas sólidas, barreiras do racional.
Este vazio impreciso, este excesso de ar, para respirar e esta vida a mais para ter. A vontade de nada mais querer, além do que não se pode querer.
Vento que me trazes a razão, perde-te por favor, deixa-me nesta insana vivência, com um mar que nunca será mais pequeno que a minha mão, que me deixa ficar, que me pede para ir e que me leva sem permissão.
Quero rebentar nas ondas deste mar, nas várias orlas deste mundo, quero deitar-me em areias várias e colar ao céu da minha boca, como pequenos rótulos, as emoções; o ódio, a loucura, a angústia ou amargura, a doçura, a indiferença, a pastosa preguiça, a paixão-mãe, o amor platónico, a tristeza, a vaidade, a solidão...
Terei espaço em mim para todas, pequenas e grandes.
Tenho a vontade de sentir.
Continuo a ter a vontade de ter o que não posso querer…

terça-feira, setembro 23, 2008

Aquela, outrora, doçura


A incessante loucura
Bate no fundo da
mente
E procura romper
com a crença
E o que crê ser importante.

É sandice, parar ou andar,
Olhar e
viver, simplesmente...
Ignorar?...

Bate-me a indecisão vendada de loucura e a
demência cola-se à pele,
Como vírus à célula
Trago o e
xaurido corpo a passear à rua,
Agastado, perdido...

Com ganas de gemer as torturas da alma,
Mas a força não me chega…

sexta-feira, setembro 05, 2008


Sobra espaço, a estranha sensação de espaço vazio…

Sobra espaço entre estar, querer, ficar, ter, partir, sentir, calar, viver…

Entre as paredes que sabem tudo,

Entre a pele e o corpo,

Entre o sorriso e a lágrima,

Entre a existência e o ser,

Entre a luz e a sombra,

Entre a castanha e a neve,

Entre a tortura e a doçura,

Entre a demora e a caminhada,

Entre a chegada e o nunca mais,

Entre a dúvida e o amor,

Entre o carinho e a estrada,

Entre o arrepio e o cheiro,

Entre o fogo e o fogo,

Entre a alma e a existência,

Entre o beijo delirante e a verdade,

Entre a sinceridade e a vontade,

Entre o soluço e o choro,

Entre o muito e o tanto,

Entre a esteira da vida e a vontade de viver,

Entre a colina e o lado errado,

Entre a melodia e a voz rouca.

Entre a gargalhada e a orelha,

Entre a espada e a parede,

Entre mim e a roupa que visto…

É gelo o que me vai na alma...


E queima com a crueldade do abandono, sinto o corpo triste e a chama da vida abandonou-me, fugiu pela janela aberta, com medo de ser exaurida pelo bafo gelado que me cedeste num copo de pé alto, com requinte camuflado; bebi-lhe a angústia interior, sem perceber que estava a morrer ao segundo.

Nada é perdido, apenas vivido… sentido com as penas de criança e as angústias de adulto.

Quero apenas ceder o corpo à tormenta e entregar a alma à liberdade, que venham os cavaleiros da noite, caminhantes em pés descalços, mostrar-me o caminho da perdição, o que não tem retorno, o que simplesmente me leva para a podridão do mundo.

Quero sentir o que nunca senti, quero sentir a dor, desgarrar a carne da existência e perder-me em mares de sangue, quero que me doa até à última gota de sangue vertida.

Que venham as brumas, as catástrofes e as bruxas, em vassouras! Que se assanhem os gatos pretos, no meu caminho e grasnem os corvos ao meu ouvido, que me partam os mil raios da conjuntura celeste, que me abram em fenda profunda e insana, por todo o meu corpo, de alto abaixo, que se prendam pernas, mãos e que as ideias se encham de lodo, e que a língua não ande, nem mexa, simplesmente quede a sentir o fel, que o peso da terra paire sobre mim, em ameaça e pressão... POIS que venham! Tudo e todos, com as fúrias de bestas mitológicas e medos urbanos, que tanto nos apoquentam no dia-a-dia!

Que desabe o mundo, e me cravem as águias esfomeadas,as suas garras na carne desprotegida, que me devorem os lobos na noite, que me deixem cair na água gelada!….

Quero pender a cabeça de cansaço, para o lado e saber que não voltará a doer tanto, nem nada poderá doer mais.

domingo, agosto 31, 2008

Sapatos vermelhos



A noite não estava a render nada, ela não percebia porque, ainda novata, naquelas andanças. Estava acompanhada de uma mais experiente, que a iniciava nesta vida a troco de nada, "porque sei o que é andar sozinha nestas ruas, à noite. Só há putas e mafiosos!... Deixa lá, não me deves nada, quem me dera que o tivessem feito por mim" concluía com um olhar amargo, que podia dizer muito mais, mas parecia não possuir palavras para descrever as suas vivências. Ou isso, ou sentimento de culpa…
- Deixa lá cachopa, com essa cara laroca, em menos de uma hora já te estão a chamar, mas atenção, sê prudente. Se vires que o gajo tem um olhar maníaco, tu vem-te embora!...
Estes alertas podiam parecer muito úteis, mas o que é certo é que não sabia o que era um ar maníaco. Tinha a inocência no corpo, como quem tem sangue; vendia o corpo, porque acabou fugida de um colégio interno, onde foi parar por ter sido apanhada com um cigarro na boca, no entanto o seu sentimento de culpa não lhe permitia a resignação para ficar trancada que nem uma marginal; uma noite, saltou da janela, simplesmente, enchendo-se de arranhões e sem olhar para trás, da família, nada podia saber, estava muito longe e só se lembra de ter andado muito. Passados dias de fome, frio e dormidas ao relento, foi parar a uma pequena cidade e aí foi amparada por uma puta samaritana...
- Anda lá boneca, nesta vida ninguém nos dá nada, temos que fazer por ela!
Apesar dos seus modos pouco carinhosos, era atenta às necessidades da pequena meretriz, deixou-a repousar durante muito tempo, alimentou-a e deu-lhe cama e roupas para o oficio.
- Elah! Se te serve a ti, quer dizer que a idade ainda não me apanhou! - Riu à gargalhada, mas percebendo que ria sozinha, acrescentou - Tenho cuidado com o que como... E protejo-me sempre.
Depois explicou-lhe como funcionavam as coisas, e a pequena puta apenas absorvia informação, falava pouco, mas lá acabou por explicar que nunca tinha estado com nenhum homem.
- A sério?! Então és um pequeno tesouro!... Vamos vender a tua virgindade! - Ao ver o ar desesperado da pequena puta, concluiu - Não te preocupes, não te vai servir para nada, e eu estou cá para te dar umas dicas, para não doer tanto. Anda daí.
E foram. Até um bordel, porque na rua os leilões são complicados... e mal pagos. No entanto ali, havia comissões para a casa, para a patroa e para a puta experiente, que levou a pequena puta. No fim, para a última sobrou apenas o tremor no corpo, de medo e horror, e as lágrimas derramadas. Então era isto o tal pecado, se doía, porque caíam nele?
Não houve tempo para respostas, na noite seguinte foi para a rua com a puta experiente, e começou a treinar a aliciação, insinuando as pernas compridas, desnudas, o traseiro redondo coberto com uma mini-saia descarada, e um decote profundo "porque um bom decote faz toda a diferença" dizia-lhe a puta experiente todas as noites. Começou a ter dinheiro, finalmente, e em breve partiria do cafofo da puta experiente, esse era o seu objectivo, como tal precisava de clientes, tivessem eles olhar maníaco, ou não, fosse o que isso fosse.
Estava impaciente, e mal habituada, pois de facto a pequena puta facturava bastante por noite, o seu ar inocente e jovem cativava muitos clientes.
Andava de um lado para o outro, num andar sólido, porém leve, nuns saltos altos vermelhos, uma mini preta e um trapinho a segurar-lhe as mamas firmes, cabelo apanhado, era mais prático e mostrava o seu rosto redondo, de menina, que tantos clientes chamava. Era um felino da noite.
- Não vale a pena desesperar... - Dizia a outra, fumando um cigarro...
Até que um carro se aproxima, um topo de gama, com vidros fumados, baixando um pouco o vidro da janela do pendura, chamou a felina, tocaram informação e ela entrou.
- Não te esqueças da protecção!
Gritou-lhe a puta experiente ao longe.
(Continua)

Flutua sem exagerar, cerra os dentes ao voar, cuidado que podes cair...


O meu nome é ilusão, crio e vivo dentro de ti, compro-te um rebuçado por dia, é quanto basta para te manter comigo.
Entro pelas paredes e infiltro-me no sangue, Sorrio ao ver que afinal gostas de me ter.
Cantas baixinho, pensando que ninguém te ouve, mas o mundo está atento aos loucos e olha-te com desdém.
É essa auência que te acompanha, e isola, que tanto te alimenta, e possui com carinho, como se de um amante se tratasse, lambe-te a pele, com uma lingua invulgarmente fria, mas que te satisfaz plenamente; percorre-te o corpo com uma mão imagnária, e deixa cair por terra a tua roupa, envolve-te com um abraço único, e penetra-te devagar, sem pressas, e tu não tens medo, porque sabes que só pode ser bom.
Todo o cheiro que envolve este ritual, é apenas teu, e desconheces que consegues um cheiro tão e apetecível, sentes cada vez mais, o corpo a ceder a uma irracionalidade instintiva de puro prazer, há algo que não consegues explicar, é cada vez mais intensa a sensação que sentes a espalhar-se pelo teu corpo, como um incêncio, cuja chama começou entre as tuas pernas... é tão interior, tão vivo, que te assustas com a onda que rebenta dentro de ti, arqueas as costas, gritas, mas é de prazer... seguem-se mais e mais ondas, diminuem de intensdade, como se fosse apenas uma rajada de vento em pleno inverno, tornada brisa primaveril...
Estás só, agora num silêncio, já não há nada a ver, fazer, dizer... Ausente, estás sempre ausente...viraste para o lado, e dormes.

Quando fores grande o que queres ser?

Quero ser gigante para ter passos maiores que todos os outros,
ou ser uma tesoura para rasgar horizontes,
posso também ser uma cor, violeta,
para pintar o mundo, viver no céu, rir às gargalhadas e ser feliz;
quero ser vento, para não caber na mão de ninguém,
ou água para dependerem de mim;
quero ser ilusão, ou amor,
para poder ri-me nas costas dos outros,
ou vê-los a fingir que amam, desgastados com o tempo e com as inseguranças,
ou saudades, lágrimas falsas;
posso ser ave, para fugir;
posso ser mentira, para viver;
quero ser grande e poder foder,
porque não existe nada melhor.

quinta-feira, agosto 07, 2008



Deixa-me um bilhete ao partires, onde digas o quanto me amas e me queres ao teu lado. Deixa-me um bilhete ao chegares para que eu não me esqueça que existes. Deixa-me um bilhete no frigorifico, a dizer quantas horas queres gastar na eternidade, ao meu lado, a ler banda desenhada e filmes idiotas. Deixa-me um bilhete com o teu beijo marcado, na minha almofada, e ecreve o teu nome, para não te confudir com outro. Deixa-me um bilhete na porta, para saber que um sétino andar é muito alto, para poder sair pela janela. Deixa-me um bilhete com a minha cor favorita, pode ser que acertes. Deixa-me um bilhete molhado com a água do banho, simplesmente porque sim. Deixa-me um bilhete com o meu nome e a minha identidade, a minha existência, aquela que julgas conhecer. Deixa-me a merda de um bilhete, pode ser que o leia.

Origem...


Perdida no marasmo da inutilidade humana que me inunda a pele,
oiço o sibilar do silêncio, junto à paredes caladas e sinto a inevitável convulsão agónica do medo. Simplesmente ser, não querer, não ter, parar para escutar...
não é um comboio que lá vem, é a vida,
lesta como um torpedo de guerra, esborracha-se na minha cara e com descaramento,
conclui o aparatoso acidente com um "aqui me tens",
segura e expansiva, como se tivesse sido chamada.
O corpo é escravo da alma e a alma escrava da mente,
mente cravada no corpo, com garras de gato preguiçoso,
que dorme de olhos abertos, sempre em alerta.
Os gatos têm um papel muito importante para a humanidade,
tal como a mente para a alma,
o corpo para a mente,
a alma para o corpo
e a mente para...não.
No fundo não passamos de massa trôpega,
com manias de grandeza.
Somos tão pequenos que corremos o risco de morrer de tédio,
ou de amor,
ou de causas ditas nobres,
porque se olhou para o sitio certo na hora errada.

vou enroscar-me neste lençol que cheira a terra molhada e a tristeza de fada, minhocas a amores perfeitos a romper, ou será este o meu cheiro e impregno o lençol?...