quinta-feira, outubro 11, 2007

Caprichosa


Enlaço na escuridão, o mais belo sonho, a mais importante relíquia.
Demonstrando o que não existe… contorcendo as palavras, deformando o olhar.
Caminhando afincadamente, flutuando em paradoxos desconexos tornados tão racionais quanto possível.
Um sorriso, um brilho fictício no olhar… é tão simples, tão simples manter uma ilusão.
Iludindo o próximo, iludimo-nos a nós próprios, queimando a verdade oscilante entre o desejo de ser revelada e o desejo de se manter oculta. A ilusão, controladora das nossas angústias, das nossas mágoas, aliada do nosso prazer… caprichosa e eloquente, transforma nosso mundo vendando os nossos instintos.
Sou caprichosa quando oculto, sou caprichosa quando omito, sou caprichosa quando minto a mim mesma, sou caprichosa quando luto e quero ganhar a todo o custo, sou caprichosa quando transmito algo e na verdade é outro algo que sou, sou caprichosa quando idealizo, sou caprichosa quando ataco, sou caprichosa quando perco e transformo a derrota numa ilusória vitória, sou caprichosa ao tentar manipular o meu universo a meu belo prazer, sou caprichosa… sou apenas isso. Um capricho de orgulho mergulhado numa densa morte da verdade.
Foi a vida que me tornou assim, ser caprichosa é um subterfúgio magnífico para esconder a verdade, protegendo-me dos caprichos alheios. Ser mais caprichosa que os outros, ser mais eloquente, mais racional, mais forte nas palavras, é meu escudo, impenetrável, gigante. Sou caprichosa, sou apenas uma mera ilusão.

Puta Bifida

2 comentários:

puta arrogante disse...

Gostei... e muito!

Só não percebi porque é que os guardaste tanto tempo só para ti.

Tens a certeza de que não tens mais? :P

Soonforgotten disse...

Ausente, resplanescente foste
Na imortalidade dos dias
Confiando a sorte
Nos braços onde adormecias
Suspirando a tormenta que te enche o peito
Respirando a brisa vinda das palavras
Que te sussurram no ouvido, em teu leito
Exalando a aurora do desejo
Que enlaçam
Na segurança de um abraço, de uma carícia, de um beijo
Presente num passado de futuro promissor
Em que prendes o que presumes ser o amor
Porque agarras as promessas não cumpridas,
As míseras despedidas
As ilusões que preenchem as tuas ínfimas vidas?