segunda-feira, agosto 04, 2008


Ontem sai de casa, com a sensação de que o mundo mexia a uma velocidade irreal, e nunca constante.

Os batimentos no meu pulso não permitiam calma, e eu não queria sair… ao pôr o pé na calçada, senti a agonia do peso do mundo, na sola dos meus pés. Não percebi o que se passou, mas o vómito que me veio à boca, mostrou-me o quão azeda vou.

Caminhei, com o corpo pesado, preso, alucinado… e a dor que me consumiu foi tão grande, que me indaguei, s e o carro que me contornou na estrada, doeria tanto, quanto o que levo dentro, se me atropelasse… a dor que pronunciada magoa, e no silêncio mata, na boca é veneno e na alma ensinamento.

Tropecei numa pessoa, julguei ser uma pedra, que por sua vez, julgou-me drogada… mas não é esse o meu mal, trago apenas a alma velha e cansada, e trato a angústia por tu.

Agonizo com o que me rodeia, canso-me com o que vejo, entristeço-me com a falta que me faz um mundo novo, um sorriso sábio, uma luz diferente e uma cor única. Contorço-me, transformo-me e sigo por esse trilho que me está traçado, mas lá à frente mudo, garanto que mudo, e não me impede ninguém, porque passo despercebida.

Tenho demasiadas questões para conseguir proferi-las


Sinto agonias que me forçam a abrir a boca, despejando um viscoso vómito de ideias, palavras soltas, frases tidas, mantidas e criadas durante anos, algumas questiono se nesta, ou de noutras vidas.

Sinto a cabeça prestes a rebentar, mas pior… pior é isto que me habita, que me consome, e não consigo explicar… é isto o sentir? Este nó que me recuso a engolir, pois temo que me doa mais a descer que a vomitá-lo, este aperto no estômago que me arranca as vísceras num único rasgão de ventre; é cruel, a dor que me vai no peito, sei que não me matará, mas habita-me paciente, sorvendo sombras, e tornando-se maior, e maior… dos olhos cai a água límpida, carregada de histórias, que nunca poderá contar… apenas cair na terra e ali permanecer, para todo o sempre, em sepulcro. As lágrimas que bebo, são para garantir alguma memória, no meu corpo, que um dia cairá por terra, perdendo tudo, o sofrimento, a alegria, a memoria... “Somos pasto para vermes…”

quinta-feira, julho 03, 2008

Masturbação...


«Como disse Camões, ela é o acto a partir do qual se "transforma o amador na cousa amada, por virtude do muito desejar."»
Rui Zink citando Camões

terça-feira, junho 17, 2008

Quantidade de água gasta, na tentativa de lavagem dos pecados dúbios, ora pelo bem, ora pelo mal; os piedosos e os maldosos, reuniram-se nas grutas escuras da essência terrestre e sussurraram as maleficências do corpo, e da mente.

Perdidos em filosofias, sem efeito, forma ou coração, racionalidade ou sentimento, acabaram a descurar o respeito mútuo, cobiçaram as formas que não viram; soubessem eles que os maldosos são corcundas e os piedosos pelados, com cabeça de porco, não se tocariam, mas o mundo é movido por desejos, e pela energia dispendida na concretização dos mesmos; acabaram colados, no maior bacanal que o interior da terra alguma vez assistiu, como nunca nos passará pela cabeça, o que a imaginação não poderá alcançar, copularam, numa cópula inatingível, gemeram de dor, essencialmente, mas muito de prazer, gritaram incompreensíveis comunicações, rugiram animalescos, e carnes arrancaram…

Romperam-se lavas profundas, arderam florestas perdidas, derrocaram montanhas solitárias, dilaceraram entranhas próprias, terminou tudo numa calmaria, onde o silêncio foi o companheiro da guerra travada; piedosos e maldosos, estendidos, no escuro, comidos, esgotados, prenhes da pior essência que se veio a conhecer, o Homem.

Com o que nunca se pensa ver, vê-se de tudo, com a venda nos olhos, um mundo triste, amolgado, florido, crescido, com a bola de carne no cerne, e a força de mil leões, recostados na savana, numa sombra vadia, que ora está, mas não pertence a nada, nem ninguém.


De costas voltadas ao dito, não sabe, não vê, não crê, simplesmente cresce selvagem, cabelos ao vento e ideias voláteis, dores de dentes ou de costas, pouco importam, não há nada maior que a dor de alma.


segunda-feira, junho 02, 2008


Passa a mão pela minha pele e diz-me o que sentes, para que te possa contar o que vejo, o arrepio que se prende na espinha e sabor que me vem à boca…
Doce desejo que me consome as entranhas a velocidades alucinadas, trazes na boca, que me beija, o veneno da prisão.
Prendes-me as mãos atrás das costas, magoas-me e sabes disso, queres-me submissa, mordo-te a língua num beijo sôfrego, que colas na minha boca, libertas-me em grito de agonia e chamas-me “Puta!”…
Fujo para um dos cantos das quatro paredes que nos rodeiam… o meu olhar desafia-te, o meu corpo arde de desejo, mas nunca te suplicarei… queres? Vem buscar, pode ser consigas…
Consegues sempre, nunca da mesma forma, mas acabamos como animais, deitados no chão em gemidos uno, em silêncios oportunos, consumimo-nos nas investidas desta dança que é o sexo, e não paramos no culminar do orgasmo, não… ainda agora começou.

Nem sempre o corpo consumido é livre




A largo passo, distraída, olhando em vão para um horizonte que não consigo ver, que se mostra em linhas pouco criadas, ou então sou eu que não tenho olhos para ver o real que a vida tem para mostrar, posso simplesmente estar frente a um horizonte que não foi criado para mim, estou frente ao muito, e ao pouco, ao que nem quero ver, ou saber. Vejo o que não vejo, sinto o que me toca, mas não o que me fala, oiço apenas o que me olha nos olhos, e nem sempre, por vezes, simplesmente, deixo contornar-me o corpo, com mãos que me são raras… o toque é uma coisa que me aflige...


Torcida vou, num corpo que teima em fugir, correr quando estou cansada, e parar quando estou com pressa. Na mente trago o mundo ao contrário, vem também como muito sangue, mostra-se contaminado de coisas estranhas, densas e sumidas, o sangue vem como vital que é e o chão é feito de mosaicos pretos, contornados a laranja…


Perdida me sinto, com o passar do tempo ainda mais. Quando olho para direcções que não quero seguir e o meu corpo, com a obrigação se move para lá. Sinto-me gado empurrado, peça de roupa largada, desprezada… o valor que nos dão não é mais importante que o valor que nos damos a nós prórpios…


Atravesso, descalça e a passo miúdo, de quem leva o temor de um mundo desconhecido, de quem teme o que vem lá, de quem não quer, de quem não gosta desta vida, de quem sente uma agonia só por acordar, de quem vomita só por neste chão andar…

domingo, maio 11, 2008

terça-feira, abril 29, 2008

Héracles e Ônfale

BOUCHER, François; Hercules and Omphale; 1735; Tela/tinta de óleo: 90 x74 cm, Museu Pushkin - Moscovo.
Hércules, a versão romana de Héracles, o herói dos doze trabalhos, durante um acesso de loucura matou Ífito. Como castigo pelo devaneiozito foi vendido por Hermes como escravo durante três anos. Quem comprou o garanhão? uma grande puta, Ônfale, que tratou de aliviar a pena ao menino tornando-o seu amante, coitadinha, que feitio de santa que ela devia ter. Era uma rainha. Da Lídia (região Norte da península natólica).
Pois esta rainha divertia-se vestindo o seu herói com bonitos trajes e faiscantes adornos, femininos, enquanto fiava; envergando ela a pele do leão de Neméia e a clava, o que é como quem diz, as calças.Estes gregos, pá, mais a sua mitologia, sempre a mostrar-nos, que não, pá, eles são mas é sempre muita à frente, que isto do bicho hôme já tá inventado à muito tempo e que não são umas engenhocas que nos mudaram, não senhora. Somos prafrentex, na nossa época? Népia! Andamos tudo sempre com os mesmos problemas. Fazem parte de nós enquanto Humanidade.
Continuemos então à bulha, pra ver quem manda mais, se a gaja se o gajo.

segunda-feira, abril 28, 2008

Maratona


Soube que iniciaste uma interessante maratona, foder o maior numero de gajos em 3 anos!

Tens alguma meta? 100? 500? 1000 gajos?

E método, tens algum? Vais deixar levar te ao sabor dos teus caprichos ou vais atacar alvos específicos como uma boa profissional?

Conta, não te acanhes, como sabes posso dar te umas dicas...

segunda-feira, abril 21, 2008

Satisfação


As noites andam muito ocupadas e os dias mal chegam para repousar estes corpos extenuados que tanto se dão ao manifesto.

O tempo não sobra e com o corpo a pagar o juízo que a cabeça não tem, as ideias e as vontades de aqui escrever diluem-se entre preguiças várias.

No entanto, os desabafos e resmungos que aqui lançamos fazem-nos falta e tentaremos ser (de novo) mais assíduas e participativas...

sexta-feira, abril 18, 2008

Tenho saudades

No meio de mil e uma coisas para fazer, trago na mente as mil e uma palavras para dizer, ando em agonias que não tem descrição, pois este silencio consome-me com uma gana que não vos consigo descrever.

Sinto falta de aqui deixar as minhas palavras, ou meus devaneios, experiências, histórias no joelho escritas.

Uma série de acontecimentos que não têm explicação, uma série de desculpas é o que é…

Deparei-me com este adorado blog, outrora tão movimentado, e agora tão perdido e só tenho a dizer que o meu coração ficou pequenino com a dor que me assolou.

E vocês pensam: foda-se! É só um blo!... credo!

Mas é onde a nossa comunicação existe, a minha e a tua, e tenho-a descurado.

Estou de regresso, aos poucos, mas estou de regresso, não deixes de nos ler

A todos os que comentam e nos lêem, aos que nos seguem e espreitam para esta janela, de vez em quando, para os que não suprimem o acto de aqui tentar encontrar as novidade, para ti que lês neste momento e nos segues, seja há muito ou pouco tempo, para ti mesmo, sussurro-te ao ouvido, como quem pede sexo:

Tenho saudades…

terça-feira, março 25, 2008

Que maravilha seria ter no BI "Puta que pariu" em vez de S. Sebastião da Pedreira



Podem dizer que é foi lá que todos os politicos nasceram;
Podem imaginar que é onde se localiza o maior bordel do mundo;
Eu, a ser verdade, admiro o humor de quem baptizou o local!

segunda-feira, março 24, 2008

O arrependimento tem o amargo sabor do fel

O orgulho é simplesmente a lâmina que nos corta com dons e torturas de ninja.
Existe um passo, que simplesmente nos deixa suspensos,
Suspensos no ser, no querer e no simples amar.
Existe um passo, que não permite voltar a trás, um passo duro,
Nem sempre eficaz.
Existe um passo, que nos consome a alma, nos cospe veneno de naja nos olhos,
Nos atira para o abismo da agonia…
E suplica por ser dado…
Existe um passo que nada mais quer, a não ser a nossa alma…
Existe um passo que nos faz chorar de alegria, de angústia ou de dor, profunda dor…
O passo que pede acção, mas racionalidade imperiosa.
Existe um passo, que simplesmente nos deixa suspensos,
Em fios de vida, queimados, corroídos, de ossos cansados.
Existe esse mesmo passo para ódio, para o amor, para a ternura e até para o pavor.
Um passo que nos prende nas malhas do nunca visto, nem capaz de ser previsto, apenas escolhido.
Todos o temos, nenhum de nós o quer.

quinta-feira, março 20, 2008

Publicidade


É ir e comprar! O ideal era mesmo se o autocarro em questão fosse até à Av. da Republica seria só segui-lo...

Primavera


Tem a mania que é bonita, mas só trás arrelias. Não querias dizer alergias?
Manhãs geladas e tardes cálidas Vamos lá a ver se assim é este ano...
A libido díspara! Ddesculpas, a nossa libido é assim todo o ano!
A bicharada insectivora fica ao rubro Por acaso... não se aguenta! Já compraste Raid?
Legenda:
Puta Arrogante
Puta Valente

terça-feira, março 18, 2008

O mundo

"Segundo estudos independentes, só entre 2001 e 2003, Bush, Powell, Rumsfeld, Cheney, Condleezza Rice e mais membros da administração americana proferiram um total de 935 declarações falsas [sobre a guerra no Iraque]. Neste quadro de terror e mentira impunes, não deixa de ser chocante que, nos Estados Unidos, um governador seja forçado a demitir-se por ter mentido... sobre a sua vida sexual."
Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 17 de Março de 2008

quinta-feira, março 13, 2008

Medos da Morte

Há sempre uma razão pela qual não sorrio

Tenho a alma colada com medos.

Angustias e sobras…

Sombras que me perseguem, e sussurram ao ouvido.

Quero apenas deixar a alma verter para o copo mais alto

No chão mais longínquo..

Quero tecer com os fios de cuspo a manta de retalhos que me aquecerá no Inverno de neve pura

Deitar a cabeça numa rocha

De consciência livre

E dormir um sono profundo e inabalável

Contudo tenho medo de morrer

terça-feira, março 04, 2008

Março


Primavera!
Flores!
Pólen!
Espirros!
Alergias!
Pássaros e pombos a arrulhar nos parapeitos das janelas quando queremos dormir!
Aniversário de uma Puta...
O que significa uma GRANDE festança!
Março mês de festa?
Por nós...

segunda-feira, março 03, 2008

A INOCÊNCIA NUNCA TIDA ou O MEU PRIMEIRO CASO NO JARDIM DE INFÂNCIA

Pois é, as gerações mais novas ultrapassam-nos cada vez mais cedo!
















sexta-feira, fevereiro 29, 2008

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Sombria


Será do tempo?
Do ciúme?
Da vontade que tenho que meio mundo desapareça?
(Podia ao menos parar de chatear!)
Será do periodo?
Da inexperiência?
Da loucura?
...